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La Petite Brune

25 de Março, 2020

A chegada da Gabriela - Parte I

La Petite Brune

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Hoje, 25 de Março, era o dia em que a Gabriela faria 40 semanas na minha barriga.

No entanto, mal me levantei da cama, na manhã de 5f, dia 5 de Março, notei logo que algo de diferente se passava.

Estava a perder líquido que durou todo o dia e tinha umas dores que nunca tinha sentido. Dores essas que tanto eram a cada 20 minutos ou de hora a hora.

Não sei explicar, mas algo me dizia para ir fazer as malas de maternidade…

Ainda hesitei porque nessa semana, a primeira da licença de maternidade, estava a remexer as caixas de roupa do Henrique que já não serve, para dividir o que era para dar do que a Gabriela ainda vai usar. E eu queria mesmo acabar esta tarefa.

Mas lá fui fazer as malas de maternidade. E depois acabei de separar as roupas.

Durante a tarde as dores continuaram frequentes. Ora a cada 20 minutos ora a cada hora.

No final do dia já só estava bem deitada. Sem dúvida que algo se passava.

Aguentei até terminarmos o jantar, mas como estavam a ser cada vez mais frequentes (a cada 10 min ou menos), lá me convenci a ir à maternidade fazer o ponto da situação.

Metemos-nos os três no carro e eles foram-me deixar à maternidade.

Fiz questão de me despedir do Henrique.

Depois de alguns exames, estava com 1 cm de dilatação.

Ainda assim, a enfermeira disse-me que tanto podia estar já em trabalho de parto, como podia andar assim mais uma ou duas semanas.

As dores eram cada vez mais fortes e regulares. Ainda assim, não me quiseram internar. Disseram-me para ir para a rua caminhar ou ir para casa e voltar duas horas depois.

Como moramos a uns 500 metros da maternidade, decidi ir para casa. Já eram 23 horas, estava preocupada em ir sozinha a pé, mas lá me fiz ao caminho.

Cada vez que vinha uma dor tinha que parar. Mas lá cheguei a casa.

Já em casa as dores eram cada vez mais fortes, dolorosas e regulares.

Estava a ser mesmo difícil de aguentar. Tentei de tudo. Movimentos bola de pilates, massagens, sacos de água quente e até enchi a banheira até meio com água bem quente.

Mas nada aliviada. Não sabia muito bem o que estava a acontecer, porque com o Henrique foi diferente, mas tudo caminhava num único sentido.

Por volta das 2h da madrugada já não aguentava mais as dores e estava tão irritada que chamei o pai para me ir levar à maternidade.

Estão a ver aqueles filmes em que o casal vai no carro e a mulher aos berros a dizer ao homem para acelerar, que já não aguenta e ele vai a pisar ovos?

Pronto, retirem a parte dos berros, mas só me apetecia esbofetear o homem por ir a pisar ovos….

Chegámos, entrei, novos exames e estava com 5 cm de dilatação.

“Gritei” por epidural o mais depressa possível.

Nesta altura as dores eram horríveis.

Ainda assim, ainda tive que esperar mais de 1 hora pela injecção! Mais exames, preparativos e a chegada da anestesista, levaram uma eternidade e eu quase a esganar as enfermeiras tal era o meu estado de nervos.

Depois de levar a bendita anestesia, já depois das 3 horas da manhã, ainda foi preciso esperar mais algum tempo até fazer efeito. Não, não foi imediato.

Até lá eu já estava que não podia.

Depois então lá consegui relaxar.

Entretanto, não se sabia se o parto estava eminente ou não. Tanto podia ser tudo muito rápido e ter uma escalada na dilatação, como podia levar horas.

Ora, queríamos o pai presente pelo que só temos que agradecer aos nossos amigos Dayanna e Fernando que às 3 horas da manhã nos atenderam o telemóvel e correram para nossa casa para ficarem a guardar o Henrique! Muito obrigada por isso! Ficaremos eternamente gratos!

O pai chegou antes das 4 horas da manhã.

A partir daqui, posso dizer que o meu trabalho de parto foi um inferno. Muito mais difícil que o do Henrique.

Tinha acabado de jantar antes das 21 horas do dia anterior. Eram 4 horas da manhã, não tinha comido nada e não podia comer por ter epidural.

Estava a ficar sem energia e sem forças. Deram-me sumos para beber, mas o meu sistema digestivo não os digeria. Perdi a conta ao número de vezes que vomitei as entranhas até a Gabriela nascer.

Depois o pior de tudo: a Gabriela, apesar de estar de cabeça para baixo, estava mal posicionada e tinha a cabeça levantada. Não podia nascer assim.

Então foram compassos de espera para ver se ela mudava de posição, eu própria me punha em posições especificas para tentar que ela se mexesse.

Mas nada fazia a miúda sair do sítio.

Entretanto por volta das 7 horas o pai voltou a casa. Para libertar os nossos amigos, acordar o Henrique e levá-lo à ama onde podia ficar todo o dia.

Já era 6f de manhã!

Hora a hora a dilatação ia aumentando 1 cm.

E eu cada vez mais esgotada.

Estava sem forças, moralmente deprimida, vomitava a todas as horas, por vezes chorava de cansaço. Estava farta. Mas já não podíamos sair dali sem ela nos braços.

O pai voltou, mas nada tinha mudado.

Apenas o meu estado de espirito cada vez mais debilitado.

Uma enfermeira lembrou-se de me fazer umas sessões de acupuntura. Ajudou um pouco, é verdade, mas momentaneamente.

Estava há mais de 12 horas sem comer e em trabalho de parto.

Por volta das 10 horas da manhã, a parteira disse que possivelmente ela não descia nem mudava de posição porque as águas ainda não tinham rebentado.

Então rebentaram as águas.

Mas a manhã passou e nada mudou. 

Por volta das 13 horas, tinha finalmente 10 cm de dilatação.

Ela tinha que nascer agora.

No entanto ainda estava mal posicionada, pelo que chamaram o médico para ajudar em alguma eventualidade.

Eram cerca das 14 horas quando iniciámos a expulsão.

Eu não tinha forças para nada, quanto mais ainda para a parte mais importante de todo este trabalho de parto que já durava há quase…. 18 horas!

A expulsão foi tranquila, apesar de extremamente cansativa, as enfermeiras ajudaram a posicionar a Gabriela para poder sair e tudo acabou pelo melhor.

6 de Março de 2020, 14h17m.

(Continua...)